05/02/2020

Os cuidados com a pele das crianças e dos adolescentes no verão

As atividades realizadas ao ar livre e a intensidade da radiação solar aumentam no verão, período em que também cresce o risco de queimaduras e outros problemas na pele. Por isso, os adultos não podem deixar a fotoproteção de lado nesta época do ano. Além do filtro solar, é recomendado usar chapéu e roupas com proteção nas atividades ao ar livre. A Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) orienta ainda que a exposição solar entre 10h e 16h seja evitada. A entidade lembra também que as barracas usadas na praia devem ser feitas de algodão ou lona, materiais que absorvem 50% da radiação UV.

Sobre o assunto, o Educo conversou com a dermatologista Roberta Castro. Segundo ela, além de evitar o risco de queimadura e contribuir para a diminuição da incidência de câncer de pele e fotoenvelhecimento, a fotoproteção cria um hábito que vale para toda a vida. “Não custa repetir, embora sejam raros os casos de câncer de pele em crianças, que os efeitos da radiação ultravioleta são cumulativas e irreversíveis”, afirma. “A pele tem uma espécie de memória e não perdoa o número de queimaduras solares acumuladas ao longo de uma vida”, completa.

 No verão, o uso de filtro solar deve ser feito diariamente e não somente nos momentos de lazer. “Até os seis meses de idade, o uso de protetor solar não é recomendado. Os bebês não devem ser exposto diretamente ao sol por mais do que 20 minutos. Entre seis meses e dois anos, deve-se dar preferência ao uso de filtros físicos e evitar a exposição nos horários entre 10h e 16h. Após os dois anos, pode usar filtros solares físicos e químicos, de preferência infantis e com FPS mais alto”, esclarece a médica.

 Além do uso constante do filtro solar, a médica recomenda ainda a atenção dos pais para a quantidade correta. O filtro deve ainda ser reaplicado a cada duas horas e após os mergulhos. “Devemos acostumar as crianças a usar roupas e chapéus com proteção solar”, destaca. “Em relação aos adolescentes, também temos que começar a proteção pela conversa. Além de gostarem de estar bronzeados, muitos adolescentes têm preguiça de fazer a aplicação e ainda reclamam que a pele fica oleosa, o que não é uma desculpa, pois, no mercado, existem filtros de vários tipos”, enfatiza. “Quem tem filhos adolescentes pode ainda orientá-los a fazer o autoexame desde cedo, observando manchas na pele”, completa.

 

Confira a entrevista completa com a dermatologista no vídeo.


Tira-dúvidas – Fotoproteção na criança em perguntas respondidas pelo Departamento Científico de Dermatologia da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP)


A exposição ao sol deve ser motivo de preocupação para os pais?

Sim. Com a chegada do verão a exposição ao sol aumenta consideravelmente, porém deve-se lembrar que ela é frequente durante o ano inteiro, sendo, desta forma, essencial a proteção adequada à luz solar. As crianças estão naturalmente mais expostas, pois preferem realizar as suas atividades ao ar livre. Assim, cabe aos pais ou responsáveis tomar as medidas para evitar a exposição excessiva ao sol e mesmo as queimaduras solares, destacando-se que cerca de 75% da exposição solar acumulada durante a vida ocorre até os 20 anos de idade.

 

Como assegurar uma exposição saudável ao sol?

A exposição ao sol ajuda na síntese de vitamina D, que é necessária para que os ossos sejam saudáveis. No entanto, para isso é necessária a radiação ultravioleta B, que está presente nos horários de pico de radiação solar (entre 10h e 16h). Dessa forma, o Consenso Brasileiro de Fotoproteção não indica a exposição solar sem proteção para esse fim. Caso haja a indicação de reposição da vitamina D, essa deve ser feita pela dieta ou suplementação vitamínica.

 

Qual é a melhor maneira de proteger o meu filho do sol?

As recomendações mudam de acordo com a faixa de idade. Nesse sentido, a Sociedade Brasileira de Pediatria, por meio do seu Departamento Científico de Dermatologia Pediátrica, faz os seguintes alertas quanto à correta proteção solar, os quais devem ser observados especialmente por pais e responsáveis:

1) Durante os seis primeiros meses de vida, os bebês não devem ser expostos diretamente ao sol;

2) A partir dos seis meses e até o primeiro ano de vida, as exposições solares devem ser curtas e em horários apropriados (até as 10h e após as 16h), sempre com a utilização de protetor solar. Fuja da exposição das horas próximas ao meio dia;

3) Durante exposições solares prolongadas (praias, clubes, piscinas), é preciso usar chapéus e roupas adequadas e procurar deixar a criança na sombra ou sob o guarda-sol pelo maior tempo possível;

4) Para as crianças maiores e adolescentes, é recomendado também o uso de óculos de sol, os quais devem ser testados para avaliar a sua eficiência contra os raios ultravioletas;

5) Use sempre guarda-sol, bonés, óculos, viseiras ou chapéus. Cerca de 70% dos cânceres de pele ocorrem na face, proteja-a sempre. Não se esqueça de proteger os lábios e as orelhas;

6) Aplique generosamente o filtro solar 20 a 30 minutos antes de se expor ao sol. Este é o tempo necessário para a estabilização do protetor solar na pele, de modo que sua ação seja mais eficaz;

7) Evite exposições prolongadas e repetidas ao sol. Queimaduras solares acumuladas durante a vida predispõem o surgimento do câncer da pele; 

8) Incentive seu filho a usar o protetor solar diariamente, dê o exemplo e use em você também.